CEP: um guia completo sobre Complex Event Process

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O mundo corporativo mudou muito nas últimas décadas, com o avanço da tecnologia virtual e advento de soluções como o Complex Event Process (CEP). Antigamente, para serem bem posicionadas, as empresas precisavam de líderes com o chamado “tino para negócio” para a tomada de decisões. Com isso, somada à qualidade dos produtos e dos serviços, era a habilidade pessoal dos executivos que determinava o sucesso.

Apesar de isso tudo ainda ser importante, hoje em dia, o foco mudou: para serem bem-sucedidos, os negócios precisam de ferramentas para coletar dados estratégicos e saber como extrair ações dessas informações. É justamente isso que o Complex Event Process promete entregar!

Por isso, o setor de TI ganhou muita proeminência dentro da hierarquia empresarial. Consequentemente, as escolhas das ferramentas digitais têm um impacto enorme sobre os resultados. Para conhecer mais uma solução essencial para fortalecer a gestão estratégica e o Business Intelligence do seu negócio, preparamos este post especialmente para você. Acompanhe conosco!

O que é o Complex Event Process?

Primeiramente, vamos explicar o CEP a partir de conceitos mais gerais para que você consiga visualizar como ele funciona na prática. Depois disso, vamos nos aprofundar em alguns detalhes técnicos de como ele funciona nas máquinas.

Pois bem, a principal ideia por trás do CEP é criar um método para rastreio e análise de fluxos de dados sobre os eventos do mundo real, para tirar dali algumas informações que podem ser úteis para as empresas.

Como funciona

Essa ferramenta é capaz de extrair dados de várias fontes e combiná-los. Depois disso, por meio de conexões lógicas inferenciais, ele elabora hipóteses para determinados eventos e padrões complexos. Vamos dar um exemplo: imagine que um sistema de monitoramento receba os seguintes dados:

  • previsão de tempo chuvoso por meio de sites de meteorologia;
  • vídeos de pessoas com o guarda-chuva aberto;
  • áudios com som de relâmpagos.

Por meio do CEP, ele pode inferir um evento complexo, como uma tempestade acontecendo nessa localidade. Portanto, o objetivo do processamento de eventos complexos é identificar eventos significativos que possam servir como oportunidades ou ameaças para os negócios. Desse modo, os gestores poderão responder a eles rapidamente. Isso pode ser útil em várias áreas, como geração de leads, atendimento ao cliente, tomada de decisões estratégicas etc.

As fontes de dados podem ser as mais variadas possíveis, tais quais: notícias, SMS, e-mails, postagens em redes sociais, feeds sobre o sistema financeiro, rankeamento nas pesquisas do Google, relatórios etc. No caso de sistemas mais avançados, dotados de ferramentas de análise e interpretação de imagens, vídeos e fotografias também podem ser utilizados.

Técnicas empregadas pelo CEP

Todos esses inputs são chamados de nuvem de eventos e, quanto mais dados forem fornecidos à ferramenta de CEP, maior a possibilidade de ela prever uma “mudança de estado” corretamente. Entre as técnicas utilizadas para essa tarefa, estão:

  • detectar os padrões dos inputs de dados;
  • abstrair os eventos;
  • filtrar os eventos mais relevantes;
  • aglutinar e agregar os eventos;
  • modelar a hierarquia dos eventos;
  • detectar o relacionamento entre os eventos, como relações de causa e efeito, associação, temporalidade, entre outras;
  • fazer inferências a partir dos padrões encontrados.

A palavra evento é frequentemente repetida nesses casos, porque ela é realmente a melhor definição das possibilidades do CEP. Caso falássemos de fatos, estaríamos limitando às ocorrências do mundo real, porém, o CEP pode ser utilizado para prever e supor mudanças de estado digitais, por exemplo.

Nesse sentido, a metodologia pode ser usada para descobrir rapidamente ações de hackers em sistemas bancários. A partir dos eventos gerados pela alteração do sistema do banco por um software malicioso, o processamento de eventos complexos pode inferir que está havendo um ataque.

Os aspectos técnicos do CEP

Do ponto de vista técnico, o CEP se refere a recursos digitais de coleta e análise de dados originados de diversas partes de um sistema de TI, a fim de informar os tomadores de decisão. Por isso, é considerada uma ferramenta de alto nível para o planejamento organizacional de uma empresa.

Os melhores fornecedores de TI geralmente oferecem recursos de Complex Event Process em suas plataformas. Para se integrar melhor às outras soluções de tecnologia da sua empresa, eles utilizam uma série de convenções de tecnologia da informação, como a linguagem de consulta estruturada. Ou seja, essa solução poderá obter dados importantes dos seus sistemas de ERP, RPA, CRM, gerenciamento da cadeia de suprimentos etc.

Não é por acaso que o CPA venha se consolidando como um recurso essencial para a área de Business Intelligence, tendo em vista que pode gerar insights estratégicos para os objetivos das empresas.

Qual a importância do CEP?

Desde a chegada do Big Data e da Business Intelligence, o paradigma da gestão e dos processos de tomada de decisão mudaram substancialmente. Em vez de focar a intuição do gestor, os insights oriundos do processamento de dados passaram a ter protagonismo nos mais diversos negócios.

Em razão disso, muitos especialistas falam que vivemos na era do “Capitalismo Informacional”. Nela, quem tem mais informações estratégicas consegue conquistar um melhor lugar no mercado. Então, por mais que tenha um excelente produto e ofereça uma ótima experiência aos clientes, você precisará investir em tecnologias capazes de captar informações sobre eles para entregar o que querem exatamente no momento em que desejam.

Hoje em dia, várias empresas já estão chegando nesse nível de serviço e, por essa razão, conseguem ultrapassar rapidamente seus concorrentes.

Quais as vantagens de implementar essa tecnologia?

Cada etapa do CEP tem suas vantagens para as empresas. Por isso, essa metodologia é considerada tão completa por quem a utiliza no ambiente empresarial.

Monitorar eventos

Enquanto o CEP estiver operando nas suas máquinas virtuais, ele estará varrendo constantemente os demais sistemas e a internet, em busca de dados úteis para os seus objetivos estratégicos. Com isso, você garante que a gestão jamais perca um dado importante para gerar insights.

Ademais, esse monitoramento constante permite que sejam feitas análises em tempo real sobre os eventos, em vez de acessá-los sempre com um delay.

Identificar padrões

Ao mesmo tempo em que monitoram os eventos, as ferramentas com CEP também executam a análise de dados em busca de clusters, isto é, conjunto de informações semanticamente semelhantes. Dessa forma, não é necessário escolher entre uma dessas ações

A identificação de padrões por si só já é muito útil para as empresas, pois, geralmente, a mão de obra humana é limitada em relação a quantidade de informações que consegue processar.  Assim, mesmo que não houvesse a etapa de previsão de eventos, somente essa funcionalidade já traria grandes avanços aos negócios.

Correlacionar padrões

Além de encontrar os padrões, o CEP possibilita um avanço que quase nenhuma ferramenta assegura: busca uma lógica entre esses padrões por meio de correlações. Desse modo, a ferramenta consegue fazer inferências sobre o significado dos eventos.

Imagine a seguinte situação: um provedor de internet começa a receber muitas ligações no seu call center. Nas chamadas, a palavra “caiu” aparece frequentemente. Ao mesmo tempo, o serviço de meteorologia informa em seu site que houve uma tempestade em determinada localidade. O sistema de gerenciamento de chamadas identifica que a maioria delas vem do mesmo DDD.

Nesse contexto, uma plataforma com CEP conseguirá entender que, provavelmente, um problema ambiental causou a queda no serviço. Na sequência, ela poderá disparar para todos os atendentes o que possivelmente ocorreu para que eles deem uma resposta satisfatória para o cliente.

Desencadear ações em tempo real

Sim, essa empresa chegaria a essa conclusão depois de algum tempo. Porém, com o CEP, tudo pode ser feito praticamente em tempo real. Com os dados certos na hora certa, os gestores podem tomar uma atitude rápida antes que o problema se agrave!

Quais áreas permitem a aplicação do CEP?

Desde prevenir fraudes no sistema financeiro ao atendimento ao cliente, veja a seguir algumas possibilidades de aplicação do Complex Event Process.

Prevenção de fraude

O sistema financeiro tem utilizado amplamente os conceitos de CEP para prevenir os mais diversos tipos de fraude. Por exemplo, cada usuário de cartão de crédito tem um comportamento específico, que gera um padrão reconhecível pelas máquinas. Geralmente, uma pessoa sempre gira em torno de determinado gasto médio mensal fixo e tem compras de valores máximos previsíveis.

Desse modo, quando algum fraudador tentar fazer várias compras que sejam muito diferentes do comportamento esperado do usuário, o CEP perceberá e gerará um alerta. Com isso, o sistema de aprovação de compras pode bloquear temporariamente as transações até entrar em contato com o cliente em algum canal confiável, como as chamadas telefônicas ou os aplicativos bancários.

Inclusive, o CEP é integrável com outras ferramentas, como o GPS. Assim, caso duas compras sejam realizadas em locais muito distantes em pouco tempo, o cartão pode ser imediatamente bloqueado.

Porém, no sistema financeiro, há também outros usos mais positivos para o Complex Event Process. Por exemplo, com base nos hábitos do consumidor, o banco poderá saber qual serviço oferecer. Caso o cliente faça muitos saques com o cartão de crédito, pode ser oferecida uma linha de crédito.

Qualidade de serviço de gestão

O grande diferencial de um bom serviço de gestão são as tomadas de decisão rápidas e certeiras. Com o CEP, você poderá detectar eventos importantes e responder a eles praticamente em tempo real, eliminando o atraso das suas ações que podem fazê-lo perder horas, semanas ou meses até se adaptar adequadamente às novas condições de mercado.

Muitas ferramentas de processamento complexo contam com a ferramenta de stream processing, isto é, praticamente todo dado que chega como input para a máquina é analisado em poucos segundos, gerando também um output praticamente instantâneo.

Isso é possível graças ao surgimento de novas tecnologias, como o aprendizado de máquina e a inteligência artificial, que conseguem avaliar padrões em gigabytes de dados, aprender com eles definitivamente e melhorar a sua eficiência a cada input recebido.

Para que isso ocorra, a própria gestão tem de oferecer uma “contraparte”. As soluções podem monitorar todo e qualquer tipo de dado digitalizável. No entanto, isso forneceria respostas inúteis para seus objetivos empresariais. Sua empresa deve, portanto, alinhar o processamento complexo com os objetivos estratégicos dos negócios. Isso só é possível caso a ferramenta seja capaz de criar e alterar as regras de detecção de eventos.

Desse modo, na hora de escolher o fornecedor de uma ferramenta CEP, confira se ele presta também uma consultoria tecnológica e a possibilidade de personalização do software. Essa será a garantia de que você não contratará uma ferramenta que será subutilizada ou até mesmo complexa demais para os gestores utilizarem.

Atendimento ao cliente

Outro uso bastante interessante do processamento eventos complexos é o atendimento ao cliente. À medida que as empresas crescem, fica mais difícil conhecer cada um dos seus consumidores. Consequentemente, não conseguem oferecer uma experiência individualizada e ficam presas a protocolos rígidos de atendimento que incomodam todo e qualquer usuário.

Vamos exemplificar a utilidade do CEP com uma empresa de telefonia. Assim que ele procurar o call center responsável pelo SAC, a ferramenta identificará o número, os relatórios de atendimento anteriores, os problemas mais frequentes naquele dia, entre outras informações, para, então, gerar um alerta sobre as informações mais importantes sobre o perfil e o histórico do cliente.

Ao contrário das ferramentas de personalização tradicionais que fornecem relatórios inespecíficos, uma funcionalidade baseada no CEP poderia analisar os dados para encontrar o que é potencialmente mais relevante para o cliente naquele momento.

Com isso, é possível colher vários benefícios, como:

  • retenção dos clientes prioritários do seu negócio, com um alto volume de transações;
  • ofertas de promoções para aqueles mais propícios a aceitar uma oferta;
  • menor taxa de inadimplência, pois o atendente poderá informar o cliente sobre contas em atraso e oferecer condições especiais para um pagamento rápido.

Como o Decision Manager pode ajudar?

O Decision Manager é a plataforma da Red Hat voltada para a implementação de regras de negócio e para o gerenciamento de decisões rápidas. Com elas, os programadores podem desenvolver aplicações orientadas pelo Complex Event Process para tomar decisões a partir de regras preestabelecidas — o que pode ser muito útil em operações de pontuação de crédito, cálculo de sinistro e de prêmio de seguros etc.

Decision Manager, portanto, permite que você automatize com segurança grande parte das decisões muito sofisticadas — que, até algum tempo atrás, somente poderiam ser feitas pelos gestores de hierarquias mais elevadas. Afinal, devido ao CEP, esse sistema consegue analisar vários eventos e responder com decisões baseadas nas últimas mudanças de condição do mercado.

A ferramenta certa pode fazer toda a diferença no momento de alcançar seus objetivos estratégicos. Nesse sentido, o Complex Event Process (CEP) pode ser a plataforma ideal para você automatizar muitos processos de tomada de decisão e ganhe mais eficiência. Além disso, ele também permite que você tenha melhor visualização do panorama do mercado, de forma que os gestores possam fazer escolhas mais corretas e rápidas.

A FábricaDS é uma fornecedora oficial do Decision Manager da Red Hat que, atualmente, é um dos melhores sistemas baseados em CEP do mercado. Quer saber mais sobre essa solução? Então, entre em contato com a nossa empresa! Além de implementar o sistema, também oferecemos uma consultoria completa em TI.

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